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- The Kaingang language (also spelled Kaingáng) is an indigenous language spoken in the South of Brazil, belonging to the Gê language family. The Kaingang nation has about 30,000 people, and about from 60% to 65% speak the language. The majority also speaks Portuguese.
- El idioma kaingáng (transcripción) es una lengua indígena amazóniza hablada en el sur de Brasil que forma parte de la familia de las lenguas yê. El pueblo kaingáng está formado por unas 30 mil personas, de las cuales entre un 60% y un 65% habla la lengua. La mayoría de los hablantes son bilingües y hablan también portugués.
- Os primeiros contatos oficiais e amistosos reconhecidos com comunidades caingangues pela sociedade portuguesa aconteceram nos campos de Guarapuava, centro do Paraná, a partir de 1812 . Na seqüência, estabeleceram-se contatos (por conta, obviamente, da invasão e ocupação do território indígena) com os caingangues das regiões sul-riograndenses de de Nonoai, em, de Guarita, em, e do nordeste do Rio Grande do Sul, em, além das regiões paranaenses de Palmas, em, do norte do Paraná, em, e do extremo oeste paranaense, em, e assim sucessivamente. Os últimos grupos forçados às relações pacíficas com os brasileiros foram os caingangues paulistas, da região dos rios Feio e Aguapeí. Desde os primeiros contatos, os caingangues foram alvo de ações catequéticas pela Igreja Católica. De fato, ao tempo do Império, isso era parte da política indigenista oficial. A expedição militar que ocupou Guarapuava contava com o capelão Francisco das Chagas Lima (que antes missionara os Puri-Coroados, em São Paulo), e que desde o primeiro momento buscou catequizar os caingangues. No Rio Grande do Sul, poucos anos após o estabelecimento dos primeiros aldeamentos entre caingangues, jesuítas liderados pelo Padre Bernardo Parés atuaram na catequese da gente de Nonoai, Guarita e Votouro. No norte do Paraná, a partir das iniciativas mais permanentes de ocupação brasileira no vale do Tibagi, o governo provincial determinou a fundação de um aldeamento em São Jerônimo, com a catequese entregue a capuchinhos italianos (o mais conhecido deles, Frei Timóteo de Castellnuovo). E foi um capuchinho italiano, Frei Mansueto Barcatta de Val Floriana, no início do século XX, o responsável pelo primeiros trabalhos de fôlego sobre a língua caingangue: uma gramática e um vasto dicionário. Antes dele, apenas se contam com vocabulários (alguns, de certa extensão e interesse). Nos anos 40 surgem trabalhos mais acurados, ainda que menos volumosos, na linha da lingüística histórico-comparativa, assinados por Mansur Guérios. Na seqüência dele, merecem registro os estudos de Wanda Hanke, tanto do xoclengue como do caingangue norte-paranaense. No final dos anos 1950, instala-se, na divisa da área indígena de Rio das Cobras, no sudoeste do Paraná, a missão e centro de pesquisa lingüística do Summer Institute. A língua caingangue passou a ser estudada, ali, por Ursula Wiesemann (e, ao que parece, posteriormente, por Gloria Kindell). Em 1959, por exemplo, um primeiro estudo é tornado público, em reunião da ABA, intitulado "Notas sobre o proto-caingangue": um estudo de quatro dialetos. Durante os anos 1960, Wiesemann prepara material de ensino da língua caingangue para missionários e, finalmente, estabelece uma sugestão de ortografia oficial e inicia a produção de cartilhas para alfabetização em caingangue. Estabelece-se, então, um convênio envolvendo a Funai, o SIL e a IECLB, e cria-se a primeira escola para formação de “monitores bilíngües” na área de Guarita (RS). Inicia-se, assim, um dos primeiros programas de educação escolar indígena bilíngüe no Brasil, mas numa perspectiva claramente transicional, em que a língua indígena não recebe valorização (ao contrário), serve apenas de ponte para o ensino em português. Em contato permanente com as comunidades caingangues do oeste de Santa Catarina, norte do Rio Grande do Sul e sudoeste do Paraná desde 1977, o pesquisador que assina este texto avalia que a introdução desse tipo de ensino bilíngüe acelerou um processo de abandono da língua pelas gerações caingangues mais jovens (cf. D'Angelis 2002a). Estudos da língua caingangues amparados em instituições universitárias brasileiras começam a surgir apenas em meados dos anos 80. Em 1987, Marita Cavalcante apresentou dissertação sobre fonologia e morfologia do caingangues de São Paulo, e no ano seguinte, José Baltazar Teixeira descreveu a fonologia do dialeto caingangue de Nonoai (RS). No primeiro caso, tratou-se de uma abordagem gerativa padrão, com algumas soluções inspiradas em Anderson. No segundo caso, uma abordagem segmental estruturalista, bastante calcada em Wiesemann e Kindell. Em 1989, Silvia Braggio publicou um pequeno trabalho sobre o processo de alfabetização entre crianças caingangues de Guarapuava em revista de Lingüística Aplicada. Em 1986, Braggio havia defendido tese nos Estados Unidos sobre o mesmo assunto (cf. Braggio 1986). A partir de meados dos anos 1990, Silvia Nascimento passou a estudar aspectos da sintaxe do caingangues nos marcos de modelos recentes da teoria gerativa (cf. Nascimento 1995 e 1996). A aparente profusão de estudos fica diluída quando observamos que a grande maioria deles mantém-se na área da fonologia e, mais ainda, quando observamos que algumas áreas da lingüística jamais foram investigadas em relação ao caingangue. Já nos anos 1990 D'Angelis passou a produzir trabalhos de análise da fonologia caingangue e, posteriormente, também sobre aspectos da sintaxe (cf. D'Angelis 1991, 1992a, 1992b, 1995a), culminando com um trabalho teórico explorando os limites das teorias fonológicas com base em dados de sua investigação daquela língua indígena (cf. D'Angelis 1995b, 1998). Suas investigações prosseguem em ambas as direções, dando atenção ainda a aspectos fonéticos da língua, em sua relação com a fonologia (cf. D'Angelis 1999a), à fonologia propriamente (cf. D'Angelis 1999b, 2000c, 2002c, 2003c), à sintaxe (D'Angelis 2002d, 2004b), às questões de educação e de lingüística aplicada (D'Angelis 1999b e 1999c), aos aspectos sociolingüísticos (cf. D'Angelis 1996, publicado em 2002a; D'Angelis & Veiga 1995, publicado em 2000b; D'Angelis 2002e), a aspectos semânticos (D'Angelis 2002b, 2004a), historiográficos (D'Angelis 2002f), literários (D'Angelis 2002i) e ortográficos (D'Angelis 2003c, 2005). Se tomarmos as “ferramentas” lingüísticas escritas, como dicionários e gramáticas, veremos outro quadro desalentador. Dos dois trabalhos de algum fôlego, intitulados “Dicionários” (bilíngües), talvez apenas o de Val Floriana (1920) mereça essa designação, apesar de todas suas limitações. Esse, porém, é desconhecido da quase totalidade dos caingangues. O de Wiesemann (1971) é pouco mais que um vocabulário, ao qual se agregam informações sobre pronúncia (da ortografia caingangue) e sobre sintaxe, como um pequeno adendo gramatical. Os materiais chamados “didáticos” produzidos em língua caingangue, seja pelo SIL, seja por iniciativas mais recentes, com recursos do MEC para “oficinas” e publicação, restringem-se a cartilhas e a coletâneas de textos. Estas últimas, embora cumpram uma função importante (a de suscitar material de leitura na língua – embora não possamos ainda falar em “literatura caingangue” strito sensu), não cobrem a lacuna da orientação de uma reflexão epilingüística e propriamente lingüística no ensino escolar do caingangue, da mesma forma que não cobrem a lacuna igualmente enorme do não emprego da língua caingangue como língua de instrução nas disciplinas de história, geografia, matemática, etc.
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